Madrugada de 6 de maio, quarta-feira. Uma violenta tempestade toma de assalto cinco veleiros que cruzavam o Atlântico Norte em direção à Europa, 500 milhas a sul do arquipélago dos Açores. Ventos a rondar os 90 quilómetros por hora e vagas de 10 metros. Depressão cavada.
Os pedidos de auxílio começaram a chegar ao Centro de Busca e Salvamento Marítimo de Ponta Delgada, que, em articulação com o Centro de Coordenação de Busca e Salvamento Aéreo das Lajes, lança uma megaoperação de busca e salvamento que começou às 02h do dia 6, quarta-feira, até às 12h25 desta quinta-feira, 7 de maio.
Revela a Marinha em comunicado que o primeiro resgate terá ocorrido pelas 18h de quarta-feira. O helicóptero EH-101 da Força Aérea Portuguesa seguiu ao encontro de quatro tripulantes, com idades compreendidas entre os 40 e os 60 anos, que seguiam a bordo do Kolibri, um veleiro de bandeira norueguesa com o mastro partido e sem comunicações. Foram levados para a Horta. Sãos e salvos.
Uma hora depois, os dois tripulantes, de 50 anos e de nacionalidade Sérvia, que seguiam no “Manca 3”, com bandeira dos EUA mas “sem capacidade de governo”, eram também resgatados, neste caso pelo navio mercante “Archangelos Gabriel”, dirigindo-se para Malta.
Por esta altura (19h de quarta-feira, dia 6), também estariam a subir a bordo do navio mercante com destino a Nova Iorque, o Cafer Dede, os dois tripulantes de 45 e 56 anos, de nacionalidade espanhola e italiana, do veleiro Gandul. O leme estava partido. Mas o pior ainda estava para vir.
Pelas 02h do dia 7, deflagrou um pequeno incêndio a bordo do veleiro de bandeira Francesa, o Reves D’o, e os quatro tripulantes com idades compreendidas entre os 6 e os 37 anos, de nacionalidade francesa, acabaram por abandonar a embarcação, engolida pelas águas do oceano. Mãe e filho, que permaneciam numa balsa salva-vidas, foram resgatados pelo navio mercante Yuan Fu Star, de Hong Kong. Pai e filha, uma menina com seis anos, caíram à água e foram dados como desaparecidos.
Um P-3C Cup+ da esquadra 601 recebe ordem para descolar. Missão: localizar os dois náufragos. Ao raiar do dia, duas horas depois de terem começado as buscas, localizam-nos. E lançam nas proximidades um “kit de sobrevivência” que lhes serviu de abrigo até à chegada, pelas 9h30, do navio hospital espanhol Esperanza del Mar. Mais de sete horas à deriva nas águas do Atlântico Norte acabariam por serem fatais para a criança.
Informa ainda a Marinha que houve pedido de ajuda de um veleiro de bandeira sueca, o Missy 32, com dois tripulantes a bordo, que se encontrava em risco de virar. Depois de terem contactado o navio hospital espanhol, dispensaram assistência e decidiram prosseguir viagem. Balanço final: 12 pessoas resgatadas. Uma vítima mortal a lamentar.
Nesta missão, que durou cerca de 34 horas, estiveram envolvidas duas aeronaves C-295M, um P3 Orion e um helicóptero EH-101 Merlin da Força Aérea Portuguesa e uma aeronave C-130J da Guarda-Costeira norte-americana (nos Açores, no âmbito do exercício de busca e salvamento SAREX 15), bem como a corveta Jacinto Cândido.
Ao final da tarde de quinta-feira, em comunicado, a Marinha veio “agradecer e enaltecer a extraordinária colaboração dos meios envolvidos nesta operação, que foi conduzida sob condições atmosféricas a todos os níveis extraordinariamente adversas”.
Durante o ano passado, foram salvas 40 vidas nas 156 missões de busca e salvamento realizadas em conjunto pela Força Aérea e pela Marinha nos Açores.
http://expresso.sapo.pt/sociedade/20...durou-34-horas